14/08/2026
Economia

Caso petróleo seja confirmado, agricultor que furou poço no Ceará não poderá vender o combustível; entenda

Líquido preto achado em Tabuleiro do Norte aguarda confirmação da ANP. Mesmo se for petróleo, exploração seria leiloada para empresas após autorização e análise de viabilidade econômica. Por Redação g1 CE

Por: Rafael Luquini
Publicado: 02/03/2026 às 14:46
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Caso petróleo seja confirmado, agricultor que furou poço no Ceará não poderá vender o combustível; entenda
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As análises foram realizadas por Adriano Lima, engenheiro químico do Instituto Federal do Ceará (IFCE), com apoio de uma equipe da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN). Os testes confirmaram que o líquido encontrado em Tabuleiro do Norte é um hidrocarboneto que, em densidade, viscosidade, cor e cheiro, é praticamente igual ao petróleo das redondezas.

O pesquisador alertou que a confirmação de que a substância é um hidrocarboneto não significa confirmação oficial de jazida de petróleo na propriedade, nem que a exploração econômica é viável. Não se sabe ainda a quantidade, qualidade e viabilidade do material.

Análise da ANP
A família de Sidrônio e o IFCE procuraram a ANP em julho de 2025 para informar sobre a descoberta, mas até então a agência não havia respondido.

O órgão se manifestou apenas em 25 de fevereiro, após ser questionado pelo g1. Na resposta, a ANP informou que abriu procedimento administrativo para apurar o caso e disse que vai contatar "o órgão de meio ambiente competente para as providências cabíveis", mas não detalhou as medidas nem o órgão responsável.

Após a notificação, a ANP deve iniciar procedimentos para averiguar as condições físicas da área, como o subsolo, o tamanho do poço e a composição química do petróleo.

Depois da confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, que são leiloados para empresas interessadas em explorar petróleo. O processo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação e obtenção de licenças ambientais, pode levar anos.

Muitas vezes, áreas já mapeadas e liberadas para exploração pela ANP não atraem investidores devido ao tamanho da jazida, dificuldade de extração, custo da operação ou baixa qualidade do petróleo, que exige mais gastos no refino.

"O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter. Então, pra empresa, por exemplo, arrematar um bloco no semiárido nordestino, em cima da Chapada do Apodi, considerando os cálculos de custos ambientais, impactos ambientais, custos econômicos de operação, tem que ser proporcional ao retorno que ele vai ter daquele material que ele vai extrair. O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir", avaliou o engenheiro químico Adriano Lima.
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